Interview for MAGNÉTICA MAGAZINE

Link: Magnética Magazine

Entrevista:
Ana Süzel
 21 de Maio de 2013
SILLYSEASON, A CRIAR O INSÓLITO
SillySeason é um grupo de jovens com grande vontade de criar algo novo, e as artes performativas foram a melhor solução. São cinco, cada um com as suas características, mas todos a trabalharem para levar este projecto para a frente. Querem conhecê-los? Nós fizémos algumas perguntas, mas o melhor será visitá-los até dia 14 de Maio nas Galerias Garrett, onde estão a apresentar o seu mais recente trabalho, DarkTourism.
O que é o colectivo SillySeason?
Cátia Tomé: O nosso coletivo artístico surge da necessidade de criar algo. Não sabemos ainda muito bem o quê nem porquê, mas existe esta necessidade muito urgente de agir. A nossa formação académica fez-se praticamente toda em cursos ligados às artes performativas, à exepção de mim, que sou a mais velha e andei a navegar por outros mares.
Quem faz parte dele, e quais os vossos objectivos?
Cátia Tomé: Somos cinco fundadores: Ana Sampaio, Cátia Tomé, Ivo Silva, Ricardo Teixeira e Rita Morais; mais dois criadores a tempo inteiro: João Leitão e Miguel Cunha. Temos vários objectivos, alguns díspares entre eles e entre nós, mas acho que o principal é o de continuarmos juntos, afinal é isso que nos dá existência enquanto coletivo e ao mesmo tempo é o mais difícil de cumprir.
Porquê o nome “SillySeason”?
Cátia Tomé: Um nome é só um nome, não importa, não tem interesse. O primeiro espetáculo tinha este nome e tinha um objectivo claro com ele. Quando o adoptamos para nome da companhia foi só porque entretanto começaram a chamar-nos “SillySeason” e nós gostámos. Mas este nome, agora, já não quer dizer absolutamente nada, ou quer dizer tudo e vai dar ao mesmo.O humor e a irreverência são pontos importantes no vosso trabalho? É uma forma de aproximação com o público?
Cátia Tomé: Vou descrever-vos uma micro-cena a que chamámos “Tradução/ Las Cholitas”, do espetáculo SillySeason, na qual obtivémos algumas gargalhadas triunfais por parte do público. Estavamos os cinco em cena. O Ricardo operava a luz. Eu apresentava a cena com a frase “A guerra é um assunto de extrema importância para o estado.”, imediatamente traduzida para o inglês pela Rita, enquanto colocava uma peruca loura, “Humanity is mediocre.”, ao mesmo tempo a Sampas e o Ivo, vestidos de Las Cholitas (inspirado numa luta-livre boliviana), praticavam jogos tradicionais portugueses. A formalização a que chegámos era bastante “silly” mas foi muito importante para o grupo chegarmos até ela, aquilo definiu-nos de certo modo.Sei que já fizeram algumas parcerias com artistas. Falem-nos dessas experiências.
Cátia Tomé: Com estas parcerias pretendemos dilatar o jogo teatral a um infinito de possibilidades. Procuramos, acima de tudo, o insólito e a fusão de discursos aparentemente contraditórios. Qualquer outro artista que convidemos será sempre, sob a nossa óptica, um “artista-pronto”, um “ready-made”, que vem dizer algo muito claro, coisa que nós, demasiado fragmentários e confusos, nunca conseguiríamos traduzir.

Pretendem continuar com essas parcerias? Existe algum nome português (ou até internacional) com quem gostassem de trabalhar?
Ana Sampaio: Sim. Principalmente com todos aqueles que requerem um cachet que não posso suportar. Esse é o requisito. Se algum dia, por obra e graça do Espírito Santo, vier a ter dinheiro terei de arranjar outra meta.
Ivo Silva: Agora a sério. No SillySeason tivemos a colaboração do Ricardo Penedo, argumentista e videasta, e no Ricardo trabalhámos com Os Burgueses e com o João Leitão, dramaturgista e videasta. Além disso, está em vista o patrocínio da Pernod Ricard para as próximas reposições. Neste terceiro,DarkTourism, continuamos com o João e chamámos o Miguel Cunha, ator, e uma participante especial que será a “surpresa da festa”. (risos) A Tua Prima é uma produtora de vídeo constituída pela Ana Mariz e o João Miranda com quem temos vindo a estabelecer parceria e que vigorará em força no quarto projeto, T-Rex. Tudo gente boa, activa, e que já se apercebeu que o horizonte é vasto. (risos)

Falem-nos do vosso novo projecto “DarkTourism”.
Cátia Tomé: De início a Rita apareceu com um artigo muito interessante sobre o “dark tourism” ou “thanatourism”. Ficámos curiosos com o conceito ali definido enquanto tipo de turismo associado à visita de locais historicamente relacionados com cenários trágicos ou de culto à morte (guerras, massacres, ataques terroristas, homicídios, catástrofes naturais, campos de concentração, desastres, cemitérios etc.). São exemplos claros deste tipo de turismo as visitas a Auschwitz, ao Ground Zero ou ao cemitério Père-Lachaise. No entanto esta pesquisa acabou por misturar-se com uma outra que andámos a fazer sobre os novos mercados emergentes na arte, os BRIICS (Brasil, Rússia, Indonésia, Índia, China e South Africa) e com a nossa vontade de nos internacionalizarmos o quanto antes, os emails que trocámos com o Brasil e o Chile e as questões que todos os dias vamos levantando e para as quais não encontramos resposta. Portanto redefinimos aquilo que para nós passa por ser dark e por ser tourist ao mesmo tempo.
Rita Morais: Temos andado a ser darktourists de nós mesmos enquanto entidade coletiva, ou seja, temos andado a observar recreativamente e com uma certa dose de apatia o nosso declínio (enquanto pessoas, artistas, portugueses, europeus, humanidade – a escala dos acontecimentos fica ao critério de cada um). Neste espetáculo, usamos isso não como uma crise mas como uma possibilidade de experimentar outras perspetivas da nossa existência. A proposta não passa por encontrar novas respostas, mas por fazer as perguntas certas.

Como seria uma peça de teatro Magnética? O que iria destacar-se? Como iriam os cinco membros comportar-se ou agir?
Cátia Tomé: Uma peça com íman??…
Ivo Silva: Seria uma interessante parceria. Abordaríamos os media. Sem nunca ficar a media res, claro. (risos)

Qual a mensagem que SillySeason quer passar para as pessoas, para os amantes e os não amantes do Teatro?
Ana Sampaio: Se são amantes do teatro deixem-se disso e vão para casa ter com as vossas mulheres.

Quais as próximas datas para vos vermos nas salas de Teatro?
Cátia Tomé: De 7 a 14 de Maio, às 21h30 nas Galerias Garrett, Rua Garrett, nº60, no Chiado. Fica na rua que sobe dos Armazéns do Chiado e termina no café A Brasileira.

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