NÓS E O JOAQUIM PAULO NOGUEIRA

Lisboa, 16 de Novembro de 2014

Quero felicitar-te António Da Câmara Manuel pela inclusão deste espectáculo no Temps d’ Images. Os SillySeason são um colectivo que nasce numa década em que parece que já não há espaço para nascerem novos grupos, que dificilmente se enquadra nos restantes projectos teatrais, quer sejam nos dos anos 70 que agora agonizam, quer seja nos dos anos 80 (os anos 80 (tal como o será esta década se apenas nos preocuparmos com a lei do mais forte) foram um autêntico matadouro teatral, eles nasciam e logo ali na mesma década eram ceifados à catanada), quer sejam os dos anos noventa que já operaram uma notável renovação tanto na criação artística como na produção teatral, e também os da primeira década e que, para além de terem mudado a paisagem teatral inscrevendo a criação dramatúrgica própria como matéria identitária distintiva em relação aos grupos já instalados, também fornecem uma fornada de criadores teatrais que está a começar uma verdadeira renovação do poder de programar, de produzir e gerir importantes equipamentos teatrais ( são muitos, um dos primeiros terá sido Mickaël de Oliveira no TAGV (um dos fundadores do Colectivo 84) depois Gonçalo Amorim no histórico TEP (dos Primeiros Sintomas) , a seguir Tiago Guedes no Teatro Rivoli (que tem feito como programador cultural um trabalho verdadeiramente exemplar de conjugação de ruptura estética com animação teatral, cultural e comunitária no seu Festival Materiais Diversos) e agora Tiago Rodrigues (criador do projecto Urgências e mais tarde do Mundo Perfeito) no Nacional. Não me espantava nada que neste contexto Nuno M. Cardoso assumisse proximamente o TNSJ). E dificilmente os SillySeason se enquadram porque embora perfilhem também uma criação dramatúrgica própria como tem sido característica de grande parte dos novos grupos, fogem ao padrão na forma como organizam colectivamente a encenação, a produção, a criação global do espectáculo que tem também uma natureza plástica própria (neste caso do T Rex por vezes artesanalmente exuberante) e muito principalmente como sentimos nos seus espectáculos uma força expressiva decorrente do modo como cada um dos actores e actrizes está pessoalmente implicado na cena. Independentemente de também terem aquelas capacidades expressivas, da voz, do corpo, que os habilitam profissionalmente, o que os distingue é – para além de uma grande energia e autenticidade – que estão ali a ser, expostos, à nossa frente, constituindo-se a si mesmos como personagens ora fazendo do teatro um meio discursivo que goza com o seu próprio discurso, ora criando uma rapsódia de clichés desmontados por entrelaçamento uns nos outros, ora criando intensidades diferentes através do silêncio, do ritmo, da luz. Não vi o primeiro espectáculo do grupo, sigo-os desde “Darktourism”, mas consigo encontrar neles uma apropriação cénica cada vez mais audaz.

Joaquim Paulo Nogueira

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